O Brasil é um dos países mais cristãos do mundo — e também um dos mais diversos na forma de viver a fé. O cristianismo chegou com os portugueses, em 1500, cresceu com as missões, se dividiu com a chegada dos protestantes no século dezenove e se transformou com o pentecostalismo no século vinte. Hoje, a fé cristã está em todo lugar: nas igrejas coloniais, nas festas populares, na música e na vida de milhões de famílias.
A chegada: 1500 e as missões
A primeira missa no Brasil foi celebrada em 1500, poucos dias depois da chegada da frota de Cabral, na costa da Bahia. Nos séculos seguintes, missionários jesuítas, franciscanos e de outras ordens fundaram aldeias, colégios e igrejas por todo o território — e a fé católica se tornou parte da identidade do país.
As igrejas coloniais que restam até hoje, como as de Salvador e de Ouro Preto, contam essa história em pedra e ouro. A Semana Santa de Ouro Preto, com suas procissões e tapetes de serragem colorida, é uma das mais famosas do Brasil. Muitas delas foram construídas com o trabalho de artesãos locais e ainda recebem fiéis e visitantes todos os anos. Quem entra numa dessas igrejas vê de perto essa mistura de arte, história e devoção.
Os protestantes e o pentecostalismo
O protestantismo chegou no século dezenove, primeiro com imigrantes alemães e depois com missionários que fundaram igrejas históricas — luteranas, presbiterianas, batistas e metodistas. Por muito tempo, foram uma minoria pequena.
A grande mudança veio com o pentecostalismo: a Congregação Cristã foi fundada em 1910 e a Assembleia de Deus em 1911, em Belém do Pará, por missionários suecos. O movimento cresceu rápido, sobretudo nas periferias das grandes cidades, e hoje é uma das maiores forças do cristianismo brasileiro.
O Brasil de hoje em números
O Censo de 2010, do IBGE, mostrou o quadro: 64,6% dos brasileiros se declaravam católicos e 22,2% evangélicos, num país de cerca de 190 milhões de pessoas. Juntos, os cristãos somavam 86,8% da população. Outros 8% diziam não ter religião.
Os números também mostram a mudança: os católicos eram 73,6% em 2000 e caíram para 64,6% em 2010, enquanto os evangélicos subiram de 15,4% para 22,2% no mesmo período. O Brasil continua majoritariamente cristão, mas muito mais plural do que era.
A fé no dia a dia
A fé brasileira se vive nas festas: o Círio de Nazaré, em Belém do Pará, reúne milhões de pessoas todos os anos no segundo sábado de outubro, numa das maiores procissões católicas do mundo. A Festa do Divino, a Festa de Nossa Senhora Aparecida e as romarias de Aparecida e de Canudos movem o país inteiro.
E se vive no cotidiano: nas igrejas de bairro, nos cultos de quarta e domingo, na música gospel que toca no rádio e nas orações em família. Para milhões de brasileiros, a fé não é um assunto de domingo — é a linguagem com que enfrentam a doença, o desemprego e a esperança de dias melhores.
A música também carrega a fé: o louvor nas igrejas evangélicas e os cânticos nas missas católicas fazem parte da vida de milhões de brasileiros, e a música gospel está entre os estilos mais ouvidos do país.
Perguntas frequentes
Quando o cristianismo chegou ao Brasil?
Em 1500, com a chegada dos portugueses. A primeira missa foi celebrada poucos dias depois da chegada da frota de Cabral, na costa da Bahia.
Quantos cristãos há no Brasil?
Segundo o Censo de 2010 do IBGE, 86,8% da população se declarava cristã: 64,6% católicos e 22,2% evangélicos.
O que é o Círio de Nazaré?
É a maior procissão católica do Brasil, realizada em Belém do Pará no segundo sábado de outubro, em honra a Nossa Senhora de Nazaré. Milhões de fiéis acompanham a imagem pelas ruas da cidade.
